sexta-feira, 21 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O homem que queria amar
Francisco de Assis não queria ser o melhor homem do mundo, queria ser melhor do que era, enxergar mais do que via. Buscava ser o menos hipócrita possível, e amar o máximo que conseguisse. Francisco decidiu que a radicalidade das ações e dos pensamentos era o caminho para transformar a sociedade, e viu esse caminho no exemplo de Cristo.
Ao se aliar aos pobres, e mais, aos irmão animais e a mãe terra, Francisco de Assis foi além, viu ali uma nova concepção do papel do homem no mundo, não o de dominador, mas de parte integrante dessa grande vida planetária.
O homem que se tornou santo, fundou uma congregação, os frades menores, assim chamados porque deveriam ser os menores entre todos, como eram tratados os pobres e os animais. A Ordem dos Frades Menores, depois chamada de Ordem Franciscana, desvirtuou-se da ideia original de Francisco, em alguns lugares com mais nitidez, em outros não, mas a ordem é uma firme integrante da Igreja Oficial, instituição que desfigurou o exemplo de Cristo, que é rica e poderosa.
As igrejas construíram seu poder de dominação e influencia as custas da palavra de Deus e do Cristo, desfiguram, alteram 'interpretam' a bel prazer, a fim de controlar, manipular, concentrar poder. Cristo lutou justamente contra tudo isso, e a favor da libertação dos oprimidos. A Igreja desfigurou Cristo.
Francisco de Assis retomou a voz esquecida de Cristo, ao falar dos pobres, dos animais, da natureza, ao abrir espaço para uma nova forma de pensar a religião, sem a hierarquia onde Deus está no alto, seguido do homem, da mulher (subordinada a ele) e por fim da natureza (subordinada aos dois). Para Francisco, Deus é amor e presença no meio de nós, e todos estamos em pé de igualdade, convivendo. A troca proposta por ele não é um negócio, mas a reciprocidade natural que deve envolver os corações e mentes: dar e receber, amar e ser amado, compreender e ser compreendido, sendo que devemos dar passos, e ser parte, não apenas questionar ou reivindicar de longe.
Francisco ensina, e muitos dentro da ordem desvirtuada, e, claro, fora dela, nos mais variados espaços, compartilham desses ensinamentos.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
A luz dos olhos meus
Há exatamente um ano, eu passava pela intervenção cirúrgica que me deu uma nova córnea, e a possibilidade de melhorar muito a minha visão. Não era aquela a primeira cirurgia, ainda em 2010, eu havia feito a primeira operação da minha vida, e a segunda, e a terceira... aquela já era a quarta operação num intervalo de seis meses, todas nos olhos, sendo que a terceira foi um transplante que acabou não dando certo.
A cirurgia foi ótima (dentro do que pode ser uma cirurgia) e a córnea transplantada comportou-se muito bem. Iniciava-se, logo depois, uma recuperação adjetivada pela minha médica, Dra. Juliane Paranhos, como fantástica. A rápida acomodação, a ausência de oscilações de grau e de curvatura da córnea e a progressiva melhora da visão foram comemorados a cada revisão, a cada exame.
Os passos que venho dando nesse ano não são apenas clínicos, a melhora da minha visão me ajudou muito a 'enxergar' a minha vida, as minhas relações e meu horizonte de outra maneira. Eu costumo dizer que estou vendo melhor em todos os sentidos. Desde que saí do hospital, ainda vendo pouco (apenas com o olho direito, ainda doente) senti tudo de forma diferente. As visitas, as mãos, as vozes, tudo passou a ter muito mais importância, eu passei a me atentar para detalhes incríveis da vida. E com a melhora da visão, a luz, as cores e os movimentos foram ganhando, além de nitidez, beleza e graça antes não provadas.
Agora eu quero, um ano depois, agradecer. As mãos que fizeram o transplante (todas). A capacitada e corajosa Juliane Paranhos, que domina um tipo arriscado de cirurgia, e me encorajou fazê-la. A minha Mãe, a meu Pai e a meu Irmão, de maiúscula dedicação e amor, e aos outros da minha família, que nunca me deixam só. Aos meus amigos, que me visitaram, que rezaram, que pensaram positivo por mim. A quem teve que morrer para dar a luz aos olhos meus, para me ajudar a ver melhor cores, movimentos, luz e formas, mas mais do que isso, sentido.
Outro transplante, agora no olho direito, virá, mas enxergar melhor em todos os sentidos foi o presente e a responsabilidade que aquela cirurgia e a córnea nova me deram.
Neto.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Eu acabava de nascer
Nunca foi tão precioso como daquela vez. Os recentes sonhos de um homem louco virando uma realidade mais gostosa que os sonhos, algo que não havia experimentado.
A cidade era a mesma, as ruas eram iguais, a noite rodeada de lampadas de mercúrio, tinha o mesmo vento que acompanhava as pedras do calçamento, e o homem era o mesmo - até aquele momento - armado de graças e atirando seu sorriso espalhafatoso.
O que torna aquele momento o exato momento-eternidade é a dona dos sonhos daquele homem, que na verdade não passava de um garoto. Aquela mulher, com mil canções, cem viagens e uma dezena de línguas, de um balanço delirante e um olhar desbravador, que havia cativado os sonhos do louco, o arrancou do chão naquela noite, e era tudo real, e tão avassalador.
Aquele homem, então, passou a ser um novo ser, passou a ser eu, que nasci daquele amor que brotou na pedra. Eu não deixei de ser louco, de atirar risadas espalhafatosas, mas nesses dois meses minha alegria nunca foi igual. Mesmo com as dores, a alegria, íntima da esperança, me contagiou, me equipou de força, de desejos, de vontades, e envolve o amor que sinto pela mulher que me deu vida, há dois meses.
"E até quem me vê lendo jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei"
Neto, Giuseppe.
Neto, Giuseppe.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Escarlate
Algo tão solar, quase no limite de onde meus pobres olhos conseguiam alcançar. Eu vou além, onde se quase não podia ver, agora posso muito sentir, muito sorrir.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Parabéns, meu VASCO
Atrasado (aqui no blog) mais ainda em tempo, quero expressar meu sentimento de alegria pelos 113 anos do Clube de Regatas Vasco da Gama.
Meu Vascão é um time pioneiro, que trouxe desde a fundação, no dia 21 de agoste de 1898, na sede da Associação Dramáticos Filhos de Talma, na rua da Saúde - Centro - Rio, um sangue luso-afro-brasileiro, e as portas abertas aos pobres da cidade do Rio que não tinham condições de praticar o remo (primeiro esporte do clube, e o mais popular do Rio de Janeiro no final do século XIX).
O fato de ser a primeira agremiação popular de remo é só o começo da história do clube, chamado pela FIFA de 'Pioneiros de São Januário'. Falando em São Januário, o caldeirão cruzmaltino foi inaugurado em 1927, e na época era o maior da Amárica Latina. Permaneceu como maior do Brasil até a inauguração do Pacaembu, em SP, e foi também o primeiro estádio a usar refletores no país.
O Vasco da Gama, com seu Expresso da Vitória - dos anos 40 - foi o primeiro clube brasileiro a ganhar um torneio internacional, o Sulamericano dos Campeões, de 48, embrião da Libertadores da América. O Expresso vascaíno é o primeiro grande esquadrão do futebol brasileiro, e inaugurou os hábitos de concentração e preparação física no país.
Muitos jargões do futebol foram criados na Colina, como o 'bicho', premiação aos jogadores, chamado assim por que era pago com animais mesmo; o 'gol olímpico' nasceu em São Janu, quando um jogador do Vasco fez um gol do escanteio no Wanderes do Uruguai, que tinha jogadores na seleção Uruguaia recém campeã olímpica, no dia do primeiro jogo noturno com refletores da história do Brasil.
São muitas as iniciativas do Vasco que influenciaram o futebol de modo geral, mas uma, sem dúvida, é marcante, não só para o esporte mais para a nação brasileira. O clube foi o primeiro a aceitar jogadores negros no time principal, derrubando assim uma barreira que permitiu a popularização do futebol. O Vasco sofreu muito por causa desta decisão, e foi expulso da liga de futebol pelos rivais cariocas que não aceitavam de modo algum a permanencia de negros no esporte. O Vasco permaneceu na luta venceu essa batalha, o que é um orgulho para os vascaínos. A maior alegria é que os 'camisas negras' venceram, de maneira invicta, vários campeonatos, sobre os rivais racistas.
Esse Gigante conquistou grandes vitórias. como os 4 nacionais (74, 89, 97, 2000), os 23 estaduais e os 5 da liga independente do Rio, o Sulamericano de 48, a Mercosul de 2000, a Libertadores de 98 e o Torneio Mundial de 53, além, claro, do mais recente, a Copa do Brasil. Tantos títulos chegaram pelas mãos de ídolos com Roberto Dinamite, Ypojucan, Vavá, Ademir, Barbosa, Danilo, Eli, Maneca, Friaça, Orlando, Brito, Felipe, Sorato, Acácio, Germano, Mauro Galvão, Juninho Pernambucano, Geovane, Valdir, Belini, Adão, Romário e Edmundo.
É o meu Vasco de tantas glórias, titulos ganhados na raça, no talento de grandes jogadores, com a força e a beleza da torcida show, e uma paixão inexplicável, por que Vasco é Vasco, e o sentimento não pode parar!
CASACA, CASACA, CASACASACASACA, A TURMA É BOA, É MESMO DA FUZARCA, VASCO, VASCO, VASCO!!!
Neto, Zé do Vasco
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