O Campeonato Carioca não serve de parâmetro para o resto da temporada do futebol no Brasil, e nenhum outro estadual também. Mas existe a rivalidade local, que no Rio - assim como São Paulo e outros estados - é forte pela história e grandeza dos principais clubes. Daí a emoção de ganhar o estadual, de contabilizar títulos e marcas locais.
Este Carioca 2015 trouxe ao Vasco outra vez o gosto de ser campeão. E depois de 12 anos de fila, recheada de erros de arbitragem, como na final do ano passado.
Mas o fim do jejum para mim teve um tom dramático, e inesquecível: assisti o primeiro tempo de Vasco x Botafogo na casa dos pais, em Itaberaí. 1 a 0 pro Vascão - gol de Rafael Silva. Por causa de um compromisso inadiável, tive que vir para Goiás, e saí no começo do segundo tempo. Vim de carona com um casal e sua filhinha (só eu de vascaíno). No carro fomos ouvindo pelo rádio os jogos transmitidos.
Até que achamos o jogo do Vasco, numa emissora que nem sei e com qualidade péssima. No começo estava tudo bem, pois tínhamos boa vantagem. De vez em quando a emissora saía do ar e então mudávamos para o jogo entre Goiás e Aparecidense pelo Goianão. Numa dessas o Botafogo empatou, e quando voltamos ao jogo do Rio o clima estava diferente (outro gol alvinegro levaria para os pênaltis), me preocupei e comecei a demostrar aquele nervosismo de torcedor apaixonado. A garotinha de um ano e pouco - Valentina - se divertia com minhas reações, e ria muito, sem saber o que estava se passando. Esta tensão, agravada pela péssima frequência do rádio que não me deixava entender direito o que acontecia na partida, durou até chegarmos dentro da cidade de Goiás, já perto da minha casa.
Aos 47 minutos da etapa final, o rádio saiu do ar por um instante, e voltou com um sonoro grito de gol, bem assim: GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL... Mas, de quem?
O locutor esbanjou a voz no grito derradeiro, mas dentro do carro o silêncio era unânime. O motorista, Danilo, parou o carro, eu abaixei a cabeça, a Valentina ficou quietinha, e foram segundos longos como o grito que ouvíamos...
Aí a voz disse: DO VASCOOOOOOOOO.
Gilberto fechou a conta e selou o título. Alegria total!! Sai do carro correndo, gritando e comemorando o título cruzmaltino!! Que loucura passar por isso, que felicidade depois do gol!!
Essa eu não esquecerei. E tomara que o Vasco não esqueça mais o caminho dos títulos
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terça-feira, 5 de maio de 2015
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Parabéns, meu VASCO
Atrasado (aqui no blog) mais ainda em tempo, quero expressar meu sentimento de alegria pelos 113 anos do Clube de Regatas Vasco da Gama.
Meu Vascão é um time pioneiro, que trouxe desde a fundação, no dia 21 de agoste de 1898, na sede da Associação Dramáticos Filhos de Talma, na rua da Saúde - Centro - Rio, um sangue luso-afro-brasileiro, e as portas abertas aos pobres da cidade do Rio que não tinham condições de praticar o remo (primeiro esporte do clube, e o mais popular do Rio de Janeiro no final do século XIX).
O fato de ser a primeira agremiação popular de remo é só o começo da história do clube, chamado pela FIFA de 'Pioneiros de São Januário'. Falando em São Januário, o caldeirão cruzmaltino foi inaugurado em 1927, e na época era o maior da Amárica Latina. Permaneceu como maior do Brasil até a inauguração do Pacaembu, em SP, e foi também o primeiro estádio a usar refletores no país.
O Vasco da Gama, com seu Expresso da Vitória - dos anos 40 - foi o primeiro clube brasileiro a ganhar um torneio internacional, o Sulamericano dos Campeões, de 48, embrião da Libertadores da América. O Expresso vascaíno é o primeiro grande esquadrão do futebol brasileiro, e inaugurou os hábitos de concentração e preparação física no país.
Muitos jargões do futebol foram criados na Colina, como o 'bicho', premiação aos jogadores, chamado assim por que era pago com animais mesmo; o 'gol olímpico' nasceu em São Janu, quando um jogador do Vasco fez um gol do escanteio no Wanderes do Uruguai, que tinha jogadores na seleção Uruguaia recém campeã olímpica, no dia do primeiro jogo noturno com refletores da história do Brasil.
São muitas as iniciativas do Vasco que influenciaram o futebol de modo geral, mas uma, sem dúvida, é marcante, não só para o esporte mais para a nação brasileira. O clube foi o primeiro a aceitar jogadores negros no time principal, derrubando assim uma barreira que permitiu a popularização do futebol. O Vasco sofreu muito por causa desta decisão, e foi expulso da liga de futebol pelos rivais cariocas que não aceitavam de modo algum a permanencia de negros no esporte. O Vasco permaneceu na luta venceu essa batalha, o que é um orgulho para os vascaínos. A maior alegria é que os 'camisas negras' venceram, de maneira invicta, vários campeonatos, sobre os rivais racistas.
Esse Gigante conquistou grandes vitórias. como os 4 nacionais (74, 89, 97, 2000), os 23 estaduais e os 5 da liga independente do Rio, o Sulamericano de 48, a Mercosul de 2000, a Libertadores de 98 e o Torneio Mundial de 53, além, claro, do mais recente, a Copa do Brasil. Tantos títulos chegaram pelas mãos de ídolos com Roberto Dinamite, Ypojucan, Vavá, Ademir, Barbosa, Danilo, Eli, Maneca, Friaça, Orlando, Brito, Felipe, Sorato, Acácio, Germano, Mauro Galvão, Juninho Pernambucano, Geovane, Valdir, Belini, Adão, Romário e Edmundo.
É o meu Vasco de tantas glórias, titulos ganhados na raça, no talento de grandes jogadores, com a força e a beleza da torcida show, e uma paixão inexplicável, por que Vasco é Vasco, e o sentimento não pode parar!
CASACA, CASACA, CASACASACASACA, A TURMA É BOA, É MESMO DA FUZARCA, VASCO, VASCO, VASCO!!!
Neto, Zé do Vasco
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