sábado, 28 de março de 2015
domingo, 22 de março de 2015
Mário Lago com os pés no chão e o os olhos no infinito
Recomeçar ainda que partido;
Refazer o horizonte a cada passo;
Buscar razões no que perdeu sentido;
Mover-me sempre, embora o pouco espaço;
Refazer o horizonte a cada passo;
Buscar razões no que perdeu sentido;
Mover-me sempre, embora o pouco espaço;
Compreender todas as vozes mudas,
Perdido entre o não dito e o não pensado;
Procurar no vazio alguma ajuda;
Repisar mil caminhos já pisados;
Perdido entre o não dito e o não pensado;
Procurar no vazio alguma ajuda;
Repisar mil caminhos já pisados;
Falar sem nunca ter ouvido um grito
De aplauso, de protesto ou xingamento;
Pensar que era de céu o chão de lodo;
De aplauso, de protesto ou xingamento;
Pensar que era de céu o chão de lodo;
Os pés na terra, os olhos no infinito.
Sonhando estar lá longe o meu momento...
Minha vida foi isso o tempo todo
Sonhando estar lá longe o meu momento...
Minha vida foi isso o tempo todo
Mário Lago
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Canto para que te lembres
Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer? canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for
Trecho de Além do Amor - Vinicius de Moraes
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer? canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for
Trecho de Além do Amor - Vinicius de Moraes
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Emicida e O Samba do Fim do Mundo
'Nova Tropicália, velha ditadura
Nossa represália, fuga da vida dura
Nossa represália, fuga da vida dura
Ação necessária por nossa bandeira
Que isso é a reforma agrária da música brasileira
Que isso é a reforma agrária da música brasileira
Quantas noites cortei
É importante dizer
Que é preciso amar, é preciso lutar
E resistir até morrer
Quanta dor cabe num peito
Ou numa vida só
É preciso não ter medo
É preciso ser maior'
É importante dizer
Que é preciso amar, é preciso lutar
E resistir até morrer
Quanta dor cabe num peito
Ou numa vida só
É preciso não ter medo
É preciso ser maior'
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Romero, Martir
Há décadas atrás a Sé Católica questionava Pedro Casaldáliga - dentre outras coisas - sobre alçar dom Romero a categoria de Mártir. Agora, em 2015, o Vaticano reconhece oficialmente o bispo salvadorenho, morto em 24 de março de 1980 pelos esquadrões da morte orientados pelo capital, como Mártir da igreja. Alguns companheiros da CPT já demonstram certo receio de que esta "institucionalização" possa descaracterizar a história de Romero. Eu acredito que estes 35 anos consolidaram a memória deste homem, que se converteu à luta dos pobres da América Latina, e é referencia no serviço pastoral, no testemunho de fé e na ação contundente em favor da justiça.
Romero já era considerado mártir pelo povo católico da America Latina desde 80, logo após sua morte. A ala progressista do catolicismo se encarregou de levantar a bandeira de Romero, e em todo continente seu martírio foi aceito. Aí a atuação de dom Pedro Casaldáliga foi importante. Em São Félix a espiritualidade do martírio ganhou corpo e Romero se tornou figura central, junto dos padres, freiras e camponeses mortos nos conflitos diversos. Este novo martírio, dos tempos atuais, incomodou a Igreja oficial, que é avessa a manifestações populares paralelas a doutrina da instituição. Mas assim como outras tantas expressões religiosas incorporadas, a Igreja reconhece - pelos tramites legais - o martírio militante de Romero, em favor não apenas da própria igreja, mas do mundo, das pessoas do mundo. É um exercício fiel a Cristo.
Mártires católicos são pessoas que morreram ao professar e trabalhar pela fé cristã, em lugares de conflitos religiosos. No princípio do catolicismo, os cristãos eram muito perseguidos, e muitos morreram defendendo o novo caminho. Depois, os conflitos foram ao resto do mundo, onde a Igreja ainda era minoria. Ja nos anos 70 e 80, o catolicismo era hegemônico, a religião cristã 'dominava' o mundo ocidental. A Igreja era aliada dos impérios modernos, das ditaduras civis-militares financiadas pelos EUA. Romero e outros mártires latinos não interessavam.
Hoje porém. sob o comando do argentino Francisco, o Vaticano muda sua postura em relação a Romero, e abre caminho para novo fortalecimento da espiritualidade do martírio popular e militante das causas dos pobres.
domingo, 21 de dezembro de 2014
MMXV
Depois de um ano pesado
de dores cortantes
de ranhos eternos
não peço muito
quero sorrisos de volta
e um vento leve na cara
Um amigo novo
Dois dedos de prosa
Três viagens inéditas
Quarto de vaca
Quinta de folga
Sextas-Feiras!
Mais coragem
Menos uns quilos
Meias rasgadas
Medos menores
Melhores ouvidos
Militância sã
Depois de perdas duras
Lágrimas sofridas
E tristezas acumuladas
Eu quero apenas mãos dadas
Beijos da amada
Noites impublicáveis
Dezembros e Janeiros
Festas de comemoração
Encontros desejados
Cantorias em roda
Paladar demandado
Eu quero 2015
de dores cortantes
de ranhos eternos
não peço muito
quero sorrisos de volta
e um vento leve na cara
Um amigo novo
Dois dedos de prosa
Três viagens inéditas
Quarto de vaca
Quinta de folga
Sextas-Feiras!
Mais coragem
Menos uns quilos
Meias rasgadas
Medos menores
Melhores ouvidos
Militância sã
Depois de perdas duras
Lágrimas sofridas
E tristezas acumuladas
Eu quero apenas mãos dadas
Beijos da amada
Noites impublicáveis
Dezembros e Janeiros
Festas de comemoração
Encontros desejados
Cantorias em roda
Paladar demandado
Eu quero 2015
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Minha década de CPT - Lutar nunca é em vão
Completo neste dezembro 10 anos
de CPT. Desde que ‘me entendo por gente’ eu tenho essa referência, primeiro
pelas recordações da caminhada pela ótica de meu pai, que décadas antes esteve
na luta da Diocese de da Pastoral da Terra, mas que a política e as opções
afastaram antes da minha existência. Mesmo com um lapso temporal, minha família
esteve ligada a CPT desde a sua fundação, em 1975.
Há uma década, porém, passei a
militar efetivamente na CPT, em Itaberaí, pelas mãos da minha grande amiga
Eleuza Ório. Com ela passei a acompanhar comunidades e assentamentos no município,
como o Che, o Marighella, São Benedito, Cedro, Mumbuca, Tres Marias, Dom
Fernando, e outros mais. Criamos uma equipe municipal, com Zalmy, Vilmar e
Viviane. Desde então sou agente na Diocese de Goiás, onde a pastoral tem uma
forte história. Dorvando, Célio, Maria Luiza, Ozania, George, Isaías, Altamiro,
Carlinhos... são alguns dos companheiros mais próximos na diocese.
Depois fui para Goiânia e a CPT
Regional me acolheu, e lá pude aprender, crescer, amadurecer muito, junto da
Simone, Leila, Fábio, Adilson, Romerson, Baiano, Chiquinho, Vitorino,
Walquíria, João, Luciana, Dirlene, Inês, Maria, Davi, Suagna, Moisés, Lindomar,
Marta... são agentes da caminhada no estado.. Pude atuar no combate ao trabalho
escravo, pela reforma agrária, pelo Cerrado, pela educação do campo, pela
agricultura familiar e agroecologia... E ter o contato com a CPT Nacional,
Isolete, Dirceu, Canuto, Sula, Elídia, Cris, Galego, Múria... e todos os
regionais nas figuras fraternas de Luciano, Flávio, Geuza, Xavier... (as
reticencias são porque tem mais gente)
Voltei a Diocese, agora no
município de Goiás, e me sinto muito feliz em poder contribuir, mesmo com todos
os defeitos e limitações, nessa terra de 23 assentamentos. Não pensem que me
acomodo. Pelo contrário! Sempre firme, NA LUTA! Junto das trabalhadoras e
trabalhadores como Maria Lúcia, Benvindo, Zé Maria, Fernando, Marieta, Marcia,
Zezinho, Clarice, Terezinha e tantos outros...
Esta ‘marca’ é pessoal, mas aqui
eu faço referência aos outros, que estão a mais ou menos tempo que eu na
pastoral, mas que sem eles eu não percorreria esta estrada. As pessoas, as
construções coletivas, nos fazem, nos editam. E justo por isso eu tenho que
citar mais algumas pessoas. Aderson, irmão, na sua alegria, generosidade e
amizade, me ensina demais, me dá oportunidades e quer sempre aprender comigo.
Aguinel, irmão, que me dedica sua confiança, seu companheirismo, seu apreço, partilha
ideias e realizações comigo. Dom Tomás, ‘pai véi’, uma inspiração, referência,
que nos possibilitou tudo isso.
A CPT esta em mim, e sem posse,
quero beber desta fonte sempre: na espiritualidade dos Mártires – Nativo,
Margarida, Tião Rosa, Dorothy, Josimo... Na mística da Romaria da Terra, da
Festa da Colheita, do Grito... Na caminhada cotidiana dos Movimentos Sociais,
comunidades, acampamentos e assentamentos... nas canções como Migrante, Bandeira de Luta, Povo Novo,
Mataram mais um irmão, Vamos denunciar, e outras tantas... Quero ser parte,
ser presença solidária.
“Quero entoar um canto novo de alegria, e ao raiar daquele dia de
chegada em nosso chão. Com meu povo celebrar a alvorada, nossa gente libertada.
LUTAR NÃO FOI EM VÃO”
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