sábado, 20 de setembro de 2014

Os Cegos do Castelo, de Nando Reis

Esta canção é, a meu ver, antológica! Uma força incrível emana da letra, que mistura um sentimento forte e devaneios recortados de momentos da vida da personagem. O clima criado pela história e pela melodia e harmonia do registro ao vivo é pra mim a melhor versão.

O Nando Reis já afirmou que esta música é sobre drogas.

Sabendo disso, eu me rendo muito mais a ela, porque é ao mesmo tempo sutil e vigorosa. Trata, na verdade, do sentimento humano num momento de enfrentamento ao sofrimento.

O bom da música é poder se envolver com o trabalho em níveis diferentes, é acessar a obra em si, e também identificar o que ela diz, mesmo que não seja o que o autor quis mostrar, porque a beleza está nas construções que fazemos a partir da canção. Se 'Cegos do Castelo' fala de drogas, segundo o artista, ela pode falar de amor, de virada, de recomeço... de tudo que o ouvinte puder interpretar e imaginar. 

As grandes obras rompem os limites planejados, e desaguam na eternidade.



domingo, 10 de agosto de 2014

Bora, embora


"Bora, chegou a hora
À luz da aurora boreal
Bora, há uma ponte
Pro horizonte no teu quintal"


"A gente aprende que há um mundo lá fora
E a vida depende de saber ir embora
Tudo tem hora, é assim minha sina
O amor não termina,
Mas eu tenho que ir"

quinta-feira, 17 de julho de 2014



Vem cantar por aqui, nestas terras de escravos
Escondidos pelas pedras, sangrando memórias
Saiba que o romance português só se fez aqui
ás custas e muito suor africano, preto, mestiço
Não é suave esta garoa, nem macio este pisar
É teimoso como o curso deste rio, vermelho
que segue seu caminho, que o homem quis mudar

Goiás dói.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Dom Tomás, lutar não foi em vão

No dia 02 de maio de 2014 fez sua Páscoa Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás e co-fundador da CPT e do CIMI.

Dom Tomás, Paulo Balduíno de Souza Décio, nasceu em 31 de dezembro de 1922 em Posse, Goiás. Tornou-se padre em 1948, na frança, e bispo em 1965, quando estava em missão em Conceição do Araguaia, Pará. Em 1967 foi nomeado Bispo da Diocese de Goiás.

Dom Tomás foi mais que um bispo católico, foi Mestre e Profeta da libertação.

Mestre, que chegou a Diocese de Goiás e propôs um novo jeito de ser Igreja. Um caminho novo, que quis construir junto do povo, de maneira colegiada e fiel ao Evangelho, colocando em prática as luzes do Vaticano II. Ensinou-nos a caminhar. Pôs-se a escutar, dialogar e sentir. Preocupou-se formar pessoas não apenas para igrejas, mas para a Vida. Agentes de pastoral, militantes, animadores... Gente que foi para o mundo, ser semente de boas transformações.

Profeta de presença marcante junto aos pobres da terra, indígenas e camponeses, demonstrando a estes amor e compromisso. Foi ousado quando, em plena ditadura, criou organismos da CNBB dedicados aos invisíveis, empobrecidos, subversivos. Com sua voz potente, dizia ‘Direitos Humanos não se pede de joelhos, exige-se de pé’. Denunciou injustiças, anunciou a Palavra da Libertação.

Em seu velório, o que se viu foi rituais indígenas, bandeiras de luta, alimentos, povo! Por isso fica a certeza dos frutos, das arvores, raízes e de mais e mais sementes lançadas, indicando o óbvio: sua luta não foi em vão e continua, com todos nós. ELE ESTÁ PRESENTE!



sábado, 3 de maio de 2014

'
Assim adormece este homem, que nunca precisou dormir pra sonhar'


Neto - de Dom Tomás

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Para Vedô.

'De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar - basta olhar - um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra paz e pra briga, um amigo de paz e de bar? 

E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo?'  Vinicius de Moraes


O que falou Vinicius é expressão do que sinto. Nos dias difíceis que a vida nos impõe, é fortificante recordar um amigo, uma conversa, uma canção, uma risada. Melhor seria o encontro, para novas conversas, canções e risadas. Melhor seria se pudesse dar um abraço de aniversário, e fazer uma piada engraçada sobre o cabelo já não tão volumoso como outrora. 

Mas este não é momento para futuro do pretérito, mas para presente do futuro, ou presente do presente mesmo. Estou aqui, camarada, tendo você como referência e força. Nem tudo são flores, floreios, mas espero a primavera que acalma e embeleza os olhos, e nesse tempo solar que virá, espero que possamos sorrir tomando aquela cachaça esperta, ao som dos sonhos que embalam nossa juventude revolucionária.

Grande abraço, vamos juntos!