quarta-feira, 8 de maio de 2013

Por causa da tua palavra...



"(...)
O discípulo não é maior do que o Mestre. Se perseguirem a mim, hão de perseguir vocês também”. Tenho que assumir. Agora estou empenhado na luta pela causa dos pobres lavradores indefesos, povo oprimido nas garras dos latifúndios. Se eu me calar, quem os defenderá? Quem lutará a seu favor? Eu pelo menos nada tenho a perder. Não tenho mulher, filhos e nem riqueza sequer, ninguém chorará por mim. Só tenho pena de uma pessoa: de minha mãe, que só tem a mim e mais ninguém por ela. Pobre. Viúva. Mas vocês ficam aí e cuidarão dela. Nem o medo me detém. É hora de assumir. Morro por uma justa causa. Agora quero que vocês entendam o seguinte: tudo isso que está acontecendo é uma conseqüência lógica resultante do meu trabalho na luta e defesa pelos pobres, em prol do Evangelho que me levou a assumir até as últimas conseqüências.
A minha vida nada vale em vista da morte de tantos pais lavradores assassinados, violentados e despejados de suas terras. Deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar. É hora de se levantar e fazer a diferença! Morro por uma causa justa"
Carta Testamento - Pe. Josimo Tavares

sexta-feira, 12 de abril de 2013

terça-feira, 26 de março de 2013

O Trovador

Que trovador não tem o peito revolto e a voz insurgente?
A sombra do cativeiro não engole o orgulho gaucho
A opressão selvagem obriga a resistência intermitente
Para que a liberdade seja a voz de toda a gente

quarta-feira, 20 de março de 2013

'Minha Missão' (fragmentos)

"...
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz!
...

Quando eu canto, a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
Que a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre, canta!"

Paulo Cesar Pinheiro

domingo, 20 de janeiro de 2013

Valeu, João

Um militante fotografo, que tive o prazer de conhecer e encontrar em vários momentos. João Zinclar clicou a vida do povo trabalhador, as misérias, as festas, a resistência e a organização popular. Era artista. Fotografava a vida e as vidas. Através de sua arte contribuiu (e contribui) para todas as nossas lutas.

"João das lentes inteligentes
Que dos olhos fez os próprios instrumentos
E cultivou o belo esculturado
Escondido dos olhares comuns.
Extrativista na coleta de fatos
Escultor das tábuas da memória
Intruso entre os limites do esquecimento
E o momento em que a ação se faz história
...
Terá  agora a tarefa mais incrível
De fazer algo grandioso e mais bonito:
Com os olhos da sensibilidade
Viverá  por toda a eternidade
Nas fotos que fará  pelo infinito."
(trecho de 'Fotografo do Infinito' de Ademar Bogo)

A foto abaixo é uma das mais conhecidas e fortes do João. Ela revela a sensibilidade, a atenção, a capacidade que ele tinha de militar pela fotografia. Valeu, João. A luta continua e você está sempre PRESENTE!

Acampamento Nova Canudos



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Drummond e sua receita

Para 2013:
Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.