sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Faze o que tu queres

Eu (re)vi o Documentário de Walter Carvalho: Raul. O Início, o fim e o meio. Um bom documentário sobre a vida e a obra do genial Raul Seixas.
Raul é foda!
Bom, o que quero contar aqui é, na verdade a história do dia em que esse documentário foi lançado em Goiânia. Estava eu trabalhando quando recebi, já a tarde, um email dizendo que o documentário estrearia na capital naquele dia, no Bouganville, e teria depois um debate. Eu pensei em ir, e liguei para amigos, mas nenhum poderia ir comigo. As 18 horas, saindo do trabalho, decidi ir para o shopping pra ver o filme.
De camisa, com um tênis sujo, e minha mochila, eu cheguei na porta da sala de cinema, e me deparei com um coquetel farto, e alguns cineastas goianos, além gente de universidade (estudantes e professores) e profissionais de cinema. Estavam em um espaço reservado que começava na porta de entrada para as salas de projeção. Me toquei que o acontecimento era para convidados, e que eu não era um convidado.
Quase fui embora, mas decidi perguntar os recepcionistas como fazia para entrar. A moça, simpática, que me antedeu estava com uma lista na mão e perguntou meu nome. Depois que eu disse ela olhou na lista e, claro, meu nome não estava lá. Eu, então, num inside quase desesperado, disse
 - Mas eu fui convidado pelo Lizandro (critico de cinema em Goiás, promotor do evento). Eu só conhecia o Lizandro Nogueira pela TV, nunca tive, até então, nenhum contato com ele, e portanto, não poderia ser seu convidado.
A moça mudou o tom: - Nossa! É convidado do Lizandro! Entre, entre. Um rapaz que também fazia a recepção me entregou um ingresso para, depois do coquetel, entrar pra ver o filme.
Comi e bebi o que deu (bastante). Conversei com todo mundo, inclusive com o diretor Walter Carvalho. Vi o documentário bem feliz e bastante empolgado. Depois vi o debate com produtores do filme e cineastas.
Na saída, fui entrevistado sobre o filme para o Jornal da TV Anhanguera, e quem me entrevistou? O meu amigo Lizandro Nogueira, que me convidou sem saber.
Viva Raul, e a boa intransigência de quem quer fazer o que quer!!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Fazer do Zero, muito (II)

'...
Um zero a zero - nulo - não dá pé, nem futuro
Templo sem fé, um muro pra se esconder
...
A dimensão solta do ar
A invenção que existe em mim
Que é você'

Fazer do zero, muito

'...
Luz no céu escuro
Fruto sem pé, maduro
Pra gente comer
...
Mas acontece que o amor
Não tem razão sua raiz
É uma nação sem ser lugar
Não tem noção: o que ele diz?
...'

Extraído do Nando.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

19

Uma noite em setembro
Muita gente passou ali
Horas e horas passaram
Muitos anos entre nós
Mas, nada entre o beijo

Nada entre a vontade
Quero, mas não posso
Posso, e quero mais
Querendo, amando
Amando mais e mais
Estamos aqui

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Levantados do Chão

Como então? Desgarrados da terra?
Como assim? Levantados do chão?
Como embaixo dos pés uma terra
Como água escorrendo da mão?
Como em sonho correr numa estrada?
Deslizando no mesmo lugar?
Como em sonho perder a passada
E no oco da Terra tombar?
Como então? Desgarrados da terra?
Como assim? Levantados do chão?
Ou na planta dos pés uma terra
Como água na palma da mão?
Habitar uma lama sem fundo?
Como em cama de pó se deitar?
Num balanço de rede sem rede
Ver o mundo de pernas pro ar?
Como assim? Levitante colono?
Pasto aéreo? Celeste curral?
Um rebanho nas nuvens? Mas como?
Boi alado? Alazão sideral?
Que esquisita lavoura! Mas como?
Um arado no espaço? Será?
Choverá que laranja? Que pomo?
Gomo? Sumo? Granizo? Maná?

Chico Buarque de Holanda

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Para minha irmã Dorothy

Dorothy
Teu trabalho é do povo
Teu sangue é da terra
Teu amor é o mesmo
do teu Pai

Dorothy
Tua vida é do povo
Teu sangue é da luta
Teu amor é igual
ao de tua Mãe

Dorothy
Irmã
Não dos opressores
Não dos assassinos
Não dos destruidores

Dorothy
Irmã dos Ameríndios
Fraterna dos sem-terra
Semelhante dos quilombolas
Consanguinea dos indígenas
Confrade das quebradeiras
Igual dos oprimidos

Trabalhadora
Quanto mais espoliam tua honra
Mais resistes, mais reages
Quando mais lesam justiça
Mais gritas
No sangue esparramado na terra
Na voz ecoada do peito dos teus
Na luz que vem do sonho da libertação

Neto

domingo, 12 de agosto de 2012

E o Direito se fez povo - Turma Evandro Lins e Silva

Rompendo as cercas da ignorância, com a ousadia e a teimosia que é caracteristica dos Movimentos Sociais,os camaradas da  a Turma Evandro Lins e Silva, de Direito para assentados e agricultores familiares, acessaram a academia, a levaram a ela toda luta do povo brasileiro, sobretudo do povo do campo. Cresceram eles - os agora baichareis em Direito - a academia, nós, amigos e militantes de movimentos sociais, sindicais e pastorais, e o Brasil, que vê gente oprimida se apropriando do conhecimento jurídico, e o conhecimento juridico liberto das garras de poucos, e partilhado, transformado. Parabéns a Via Campesina, a CONTAG, ao INCRA/PRONERA e a UFG. Tenho a imensa alegria de ter participado de alguma forma nesse caminho, me tornando amigo de vários estudantes, participando de alguns momentos marcantes da Turma, e guardando no coração e na mente passagens tão preciosas. Vila Boa de Goiás, eu, e tantos outros, somos testemunhas dessa grande experiência, e mais, dessa mistura de culturas, personalidades e gostos que encheu de sonhos e conquistas as nossas vidas. Minha reverência especial ao QGM, que é também minha casa, de amigos para toda a vida. Parabéns companheiros e compaheiras. PÁTRIA LIVRE, VENCEREMOS!