terça-feira, 24 de julho de 2012

Com a alma atarantada

'eu era um homem entendia tudo
...
sou uma criança, não entedo nada'


(do Grande Erasmo, pelos Cachorros Grandes)

Com a alma atarantada

eu era um homem entendia tudo...
...sou uma criança, não entedo nada



(Do grande Erasmo, pelos Cachorros grandes)

sábado, 14 de julho de 2012

Venus Platinada

Ontem foi o 'Dia do Rock', mas rock é de todo dia, e por isso eu posto agora a letra da primeira música que eu fiz de verdade, há anos atrás...

Venus Platinada

'O problema não é meu
Quero que se exploda o mundo inteiro'
A hipocrisia é a maldição
que leva toda ilusão
A gente já não sabe o que esperar
Querem que eu pare de lutar

Parece que tá tudo bem
E mesmo os fortes caem porque não sabem lutar
Até os justos se corrompem
por causa desse falso amor

Me cegaram e deixaram eu escolher
Que vício quero ter quando crescer
Tenho direito de ser escravo
Do que eu bem entender

Não tá nada bem
E eu não tenho tempo pra beber e conversar
Todos caem sem sentir a dor

Tudo se acalma com um pouco de sexo
As drogas da moda
E um programa de televisão
Vamos entrando na roda
E todo dia nasce uma nova religião

Parece que tá tudo bem
Não ta nada bem

Neto (compositor)

domingo, 10 de junho de 2012

'Se o senhor é o Bispo, eu sou o Papa'

para Júlio Saraiva
O motorista do ônibus não entendeu o português enrolado do homenzinho magro, calça de brim surrada, camiseta branca e sandálias de couro. Estacionou o veículo na beira da estrada, para que o homenzinho descesse. E depois partiu. O homenzinho só havia pedido para urinar. O condutor não entendeu e o largou, tarde da noite, na escuridão da estrada.
Este foi um episódio ocorrido com Dom Pedro Casaldáliga, missionário clareteano (da Congregação fundada por Santo Antônio Maria Claret), que havia acabado de ser sagrado bispo da miserável região de São Felix do Araguaia, até hoje conturbada por sangrentas lutas pela disputa da terra. Na época, fins da década de 1970, a situação era pior ainda: os órgãos de repressão do governo militar, instalado no Brasil em 1964, descobriram que ali estava sendo articulada a luta armada para pôr fim à ditadura. Naquela noite, Pedro Casaldáliga pediu abrigo na casa de um camponês, que ainda não o conhecia. Ao dizer que era o bispo, o camponês, antes de lhe dar pousada, sorriu e disse, vendo-o naqueles trajes: "Se o senhor é bispo, eu sou o papa. Mas pode entrar."
Pedro Casaldáliga juntou-se à luta do seu povo simples e massacrado. Escondeu guerrilheiros. Teve sua extradição pedida pelos latifundiários. Recebeu advertências do Vaticano, que fingiu não entender. Foi jurado de morte diversas vezes. Hoje, aposentado, não retornou a Espanha, preferindo continuar no meio de índios e posseiros, mesmo contra a vontade dos seus superiores.
O ritual de sua sagração episcopal foi diferente dos demais. Dispensou todas as pompas.Não deitou no tapete vermelho, mas sim numa esteira de vime, às margens do rio Araguaia. Em lugar da mitra, usou um chapéu de palha de pescadores. Em lugar do cajado episcopal, um par de remos.O anel foi enviado à mãe na Espanha e trocado por uma modesta aliança de casca de coco. Palácio? Como palácio, monsenhor optou por uma choupana idêntica a do povo local. Escreveu um diário, e vários poemas, como este:

A paz inquieta

Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta
Que denuncia a PAZ dos cemitérios
E a PAZ dos lucros fartos.
Dá-nos a PAZ que luta pela PAZ!
A PAZ que nos sacode
Com a urgência do Reino.
A PAZ que nos invade,
Com o vento do Espírito,
A rotina e o medo,
O sossego das praias
E a oração de refúgio.
A PAZ das armas rotas
Na derrota das armas.
A PAZ do pão da fome de justiça,
A PAZ da liberdade conquistada,
A PAZ que se faz “nossa”
Sem cercas nem fronteiras,
Que é tanto “Shalom” como “Salam”,
Perdão, retorno, abraço...
Dá-nos a tua PAZ,
Essa PAZ marginal que soletra em Belém
E agoniza na Cruz
E triunfa na Páscoa.
Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta,
Que não nos deixa em PAZ!


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Apenas

Eu quero muito, meus dias inteiros de desejos realizados. Sem querer, eu espero muito, do tempo e de mim, das horas que não passaram como deveriam. Eu preciso de muito pouco, para fazer outro muito pouco, que procura mais e mais gente, que junta tudo e transforma, recorda, comtempla, rechaça, brinda e sorri ao final de tudo.

É que eu sou apenas. Meramente um tão somente. Mas não se engane, o que pode parecer pouco, pode ser demais.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Vale a pena a música toda, mas transcrevo aqui o final dela:

'Eu saí da minha terra por ter sina viageira
Com dois meses de viagem eu vivi uma vida inteira
Sai bravo, cheguei manso, macho da mesma maneira
Estrada foi boa mestra, me deu lição verdadeira
Coragem não tá no grito, nem riqueza na gibeira
E os pecados de domingo quem paga é segunda-feira'


Capoeira do Arnaldo - Paulo Vanzolini


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