sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Canto para que te lembres

Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer? canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for

Trecho de Além do Amor - Vinicius de Moraes





segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Emicida e O Samba do Fim do Mundo

'Nova Tropicália, velha ditadura
Nossa represália, fuga da vida dura
Ação necessária por nossa bandeira
Que isso é a reforma agrária da música brasileira


Quantas noites cortei
É importante dizer
Que é preciso amar, é preciso lutar
E resistir até morrer
Quanta dor cabe num peito
Ou numa vida só
É preciso não ter medo
É preciso ser maior'


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Romero, Martir

Há décadas atrás a Sé Católica questionava Pedro Casaldáliga - dentre outras coisas - sobre alçar dom Romero a categoria de Mártir. Agora, em 2015, o Vaticano reconhece oficialmente o bispo salvadorenho, morto em 24 de março de 1980 pelos esquadrões da morte orientados pelo capital, como Mártir da igreja. Alguns companheiros da CPT já demonstram certo receio de que esta "institucionalização" possa descaracterizar a história de Romero. Eu acredito que estes 35 anos consolidaram a memória deste homem, que se converteu à luta dos pobres da América Latina, e é referencia no serviço pastoral, no testemunho de fé e na ação contundente em favor da justiça.

Romero já era considerado mártir pelo povo católico da America Latina desde 80, logo após sua morte. A ala progressista do catolicismo se encarregou de levantar a bandeira de Romero, e em todo continente seu martírio foi aceito. Aí a atuação de dom Pedro Casaldáliga foi importante. Em São Félix a espiritualidade do martírio ganhou corpo e Romero se tornou figura central, junto dos padres, freiras e camponeses mortos nos conflitos diversos. Este novo martírio, dos tempos atuais, incomodou a Igreja oficial, que é avessa a manifestações populares paralelas a doutrina da instituição. Mas assim como outras tantas expressões religiosas incorporadas, a Igreja reconhece - pelos tramites legais - o martírio militante de Romero, em favor não apenas da própria igreja, mas do mundo, das pessoas do mundo. É um exercício fiel a Cristo.

Mártires católicos são pessoas que morreram ao professar e trabalhar pela fé cristã, em lugares de conflitos religiosos. No princípio do catolicismo, os cristãos eram muito perseguidos, e muitos morreram defendendo o novo caminho. Depois, os conflitos foram ao resto do mundo, onde a Igreja ainda era minoria. Ja nos anos 70 e 80, o catolicismo era hegemônico, a religião cristã 'dominava' o mundo ocidental. A Igreja era aliada dos impérios modernos, das ditaduras civis-militares financiadas pelos EUA. Romero e outros mártires latinos não interessavam.

Hoje porém. sob o comando do argentino Francisco, o Vaticano muda sua postura em relação a Romero, e abre caminho para novo fortalecimento da espiritualidade do martírio popular e militante das causas dos pobres.

Romero das Américas, PRESENTE!




domingo, 21 de dezembro de 2014

MMXV

Depois de um ano pesado
de dores cortantes
de ranhos eternos
não peço muito
quero sorrisos de volta
e um vento leve na cara

Um amigo novo
Dois dedos de prosa
Três viagens inéditas
Quarto de vaca
Quinta de folga
Sextas-Feiras!

Mais coragem
Menos uns quilos
Meias rasgadas
Medos menores
Melhores ouvidos
Militância sã

Depois de perdas duras
Lágrimas sofridas
E tristezas acumuladas
Eu quero apenas mãos dadas
Beijos da amada
Noites impublicáveis

Dezembros e Janeiros
Festas de comemoração
Encontros desejados
Cantorias em roda
Paladar demandado
Eu quero 2015








quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Minha década de CPT - Lutar nunca é em vão

Completo neste dezembro 10 anos de CPT. Desde que ‘me entendo por gente’ eu tenho essa referência, primeiro pelas recordações da caminhada pela ótica de meu pai, que décadas antes esteve na luta da Diocese de da Pastoral da Terra, mas que a política e as opções afastaram antes da minha existência. Mesmo com um lapso temporal, minha família esteve ligada a CPT desde a sua fundação, em 1975.

Há uma década, porém, passei a militar efetivamente na CPT, em Itaberaí, pelas mãos da minha grande amiga Eleuza Ório. Com ela passei a acompanhar comunidades e assentamentos no município, como o Che, o Marighella, São Benedito, Cedro, Mumbuca, Tres Marias, Dom Fernando, e outros mais. Criamos uma equipe municipal, com Zalmy, Vilmar e Viviane. Desde então sou agente na Diocese de Goiás, onde a pastoral tem uma forte história. Dorvando, Célio, Maria Luiza, Ozania, George, Isaías, Altamiro, Carlinhos... são alguns dos companheiros mais próximos na diocese.

Depois fui para Goiânia e a CPT Regional me acolheu, e lá pude aprender, crescer, amadurecer muito, junto da Simone, Leila, Fábio, Adilson, Romerson, Baiano, Chiquinho, Vitorino, Walquíria, João, Luciana, Dirlene, Inês, Maria, Davi, Suagna, Moisés, Lindomar, Marta... são agentes da caminhada no estado.. Pude atuar no combate ao trabalho escravo, pela reforma agrária, pelo Cerrado, pela educação do campo, pela agricultura familiar e agroecologia... E ter o contato com a CPT Nacional, Isolete, Dirceu, Canuto, Sula, Elídia, Cris, Galego, Múria... e todos os regionais nas figuras fraternas de Luciano, Flávio, Geuza, Xavier... (as reticencias são porque tem mais gente)

Voltei a Diocese, agora no município de Goiás, e me sinto muito feliz em poder contribuir, mesmo com todos os defeitos e limitações, nessa terra de 23 assentamentos. Não pensem que me acomodo. Pelo contrário! Sempre firme, NA LUTA! Junto das trabalhadoras e trabalhadores como Maria Lúcia, Benvindo, Zé Maria, Fernando, Marieta, Marcia, Zezinho, Clarice, Terezinha e tantos outros...

Esta ‘marca’ é pessoal, mas aqui eu faço referência aos outros, que estão a mais ou menos tempo que eu na pastoral, mas que sem eles eu não percorreria esta estrada. As pessoas, as construções coletivas, nos fazem, nos editam. E justo por isso eu tenho que citar mais algumas pessoas. Aderson, irmão, na sua alegria, generosidade e amizade, me ensina demais, me dá oportunidades e quer sempre aprender comigo. Aguinel, irmão, que me dedica sua confiança, seu companheirismo, seu apreço, partilha ideias e realizações comigo. Dom Tomás, ‘pai véi’, uma inspiração, referência, que nos possibilitou tudo isso.

A CPT esta em mim, e sem posse, quero beber desta fonte sempre: na espiritualidade dos Mártires – Nativo, Margarida, Tião Rosa, Dorothy, Josimo... Na mística da Romaria da Terra, da Festa da Colheita, do Grito... Na caminhada cotidiana dos Movimentos Sociais, comunidades, acampamentos e assentamentos... nas canções como Migrante, Bandeira de Luta, Povo Novo, Mataram mais um irmão, Vamos denunciar, e outras tantas... Quero ser parte, ser presença solidária.


“Quero entoar um canto novo de alegria, e ao raiar daquele dia de chegada em nosso chão. Com meu povo celebrar a alvorada, nossa gente libertada. LUTAR NÃO FOI EM VÃO”