'Tua tristeza é tão exata, e hoje o dia é tão bonito
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Disseste que se tua voz tivesse força igual a imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a sua casa, mas a vizinhança inteira
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Há tempos, são os jovens que adoecem, e há tempos o encanto está ausente'
O discípulo não é maior do que o Mestre. Se perseguirem a mim, hão de perseguir vocês também”. Tenho que assumir. Agora estou empenhado na luta pela causa dos pobres lavradores indefesos, povo oprimido nas garras dos latifúndios. Se eu me calar, quem os defenderá? Quem lutará a seu favor? Eu pelo menos nada tenho a perder. Não tenho mulher, filhos e nem riqueza sequer, ninguém chorará por mim. Só tenho pena de uma pessoa: de minha mãe, que só tem a mim e mais ninguém por ela. Pobre. Viúva. Mas vocês ficam aí e cuidarão dela. Nem o medo me detém. É hora de assumir. Morro por uma justa causa. Agora quero que vocês entendam o seguinte: tudo isso que está acontecendo é uma conseqüência lógica resultante do meu trabalho na luta e defesa pelos pobres, em prol do Evangelho que me levou a assumir até as últimas conseqüências.
A minha vida nada vale em vista da morte de tantos pais lavradores assassinados, violentados e despejados de suas terras. Deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar. É hora de se levantar e fazer a diferença! Morro por uma causa justa"
Que trovador não tem o peito revolto e a voz insurgente?
A sombra do cativeiro não engole o orgulho gaucho
A opressão selvagem obriga a resistência intermitente
Para que a liberdade seja a voz de toda a gente
"...
Canto para anunciar o dia Canto para amenizar a noite Canto pra denunciar o açoite Canto também contra a tirania Canto porque numa melodia Acendo no coração do povo A esperança de um mundo novo E a luta para se viver em paz!
...
Quando eu canto, a morte me percorre E eu solto um canto da garganta Que a cigarra quando canta morre E a madeira quando morre, canta!"