quinta-feira, 15 de março de 2012

Antiga carta (atemporal)

"Neto,
[...]
A  verdade é que eu sempre penso coisas pra tentar te dizer e que te façam bem, mas na hora que estamos juntos, muda-se tudo completamente, a espontaneidade toma conta de nós e falo as maiores besteiras, as palavras ou frases pela metade, tão imperfeitas, mas que carregam tanto significado!
Passei a semana toda, pensando em te escrever algo. No meu aniversário você escreveu coisas tão bonitas e me deu um presente tão lindo, que eu fiquei até sem jeito, na verdade, sem ar.
Quase não deu pra ler o arquivo que você me enviou no email, meus olhos estavam completamente embaçados e molhados, só não vou dizer por quê.
Neto, eu também aprendo bastante com você, até mesmo nas conversas mais rápidas que temos como está acontecendo ultimamente!
Talvez seja a falta de tempo, os desencontros ou talvez o problema esteja em mim.
[...]
Vou sempre descascar a laranja pra você, daquele jeito que se descasca mexerica (mesmo tendo que resmungar um pouco), vou sempre te ouvir, sempre prestar atenção aos minúsculos detalhes sem deixar que você perceba; vou sempre abaixar a cabeça ou virar o rosto quando estiver com vergonha, não deixando, mesmo assim, de te ouvir; vou sempre falar, contar meus pensamentos, meus planos, meus medos, minhas idéias, minhas angústias, minhas besteiras, confesso que meus complexos, minhas empolgações, minha vida inteira em suas mãos!
[...]
Teremos ainda muitas conversas e momentos a lembrar! “E até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer!”
Agradeço por estar a meu lado sempre, pelas palavras encorajadoras e encantadoras, mesmo que numa simples frase ou em um texto escrito por você.
Eu sempre fico atenta às músicas que você coloca no perfil, pra imaginar o que você quer dizer com cada letra, mesmo que não sejam românticas, pra tentar assim, saber o que se passa com você naquele momento, desta forma, me sinto mais próxima de ti em pensamento.
Assim como você pediu para que eu perdesse meus medos, peço que você continue essa busca incessante por seus ideais, por aquilo em que acredita e que eu sei, renderá muitos frutos. Peço que orgulhe de si mesmo pelo que você conquistou até hoje. 


[...]
Vou sempre te escutar
Ficar calada se isso for te ajudar
Mas se eu falar algo
Meio assim sem ver
Não me entenda mal
É que eu preciso de você
[...]"

quarta-feira, 7 de março de 2012

Quimera

Aparentemente esta quase tudo bem

No mundo
Na casa
Na mente

As aparências se enganam

Aparentemente está quase tudo normal

Com a fala
Com a palavra
Com o jornal

As aparências me enganam

Aparentemente esta quase tudo certo

Em forma
Em conteúdo
Em método

As aparências esganam


Neto, J.G.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

É claro



Luz que invade a nossa compreensão
Toda raça, toda luta, toda cor e´vida
Iluminai



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Murmúrio


Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

Cecília Meireles





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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu me preocuparia mais, no passado, no futuro, no futuro do pretérito. Hoje não.
 
 
 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

Para Guilherminho.

Tô me lembrando de umas coisas, irmão:

Me lembro do Gol-a-Gol no quintal; de jogar falta na garagem com a bola de meia; de golzinho na rua da tia Eva; de penalti na Orbeg; de brincar na areia; de ser locutor de rádio e você ter que dar a previsão do tempo, ser entrevistado, e cantar; da adedonha; de fazer carro alegórico; brincar de Banco com a Mila; fazer castelo no fundo de casa; fazer corrida de bicicleta; montar estádios com caixa de sapato; de "A torre de Londres está caindo"; de viajar de caminhão com tio Quitito; do tanque debaixo do pé de manga na rua D'Abadia; das festas de São José na igrejinha; do Quito; do Magruga/Fidel; do seu pé preso na arvore no Seu André; de brincar de lutinha; da quadra de areia no Inter; de tomar banho na Carioca; de te chamar de cabelo e cuia e Tião Macalé (nogeeento, tchan!); de lavar o carro do Jales; de ir pra chácara do Tio Juarez; das reuniões do PT em que você dormia; de rapar a vasilha de bolo...

Tivemos infância, eu tenho você, Guilherminho.

Neto (irmão)